O deputado estadual Delegado Camargo fez um alerta aos policiais militares e bombeiros militares de Rondônia sobre dois projetos em tramitação na Assembleia Legislativa que podem impactar diretamente a carreira da tropa. Em manifestação direcionada à categoria, o parlamentar informou que está em análise a Mensagem nº 336, encaminhada pelo Governo do Estado, que trata do Sistema de Proteção Social dos Militares de Rondônia, além do Projeto de Lei nº 1.438/2026, também protocolado na Casa de Leis e relacionado ao mesmo tema.
Logo no início da fala, Camargo chamou a atenção dos militares para a importância do assunto.
“Atenção, você, policial militar e bombeiro militar do Estado de Rondônia, está tramitando aqui na Assembleia Legislativa dois projetos que vão de encontro à carreira dos militares aqui do Estado”, afirmou.
Segundo o deputado, a Mensagem nº 336 foi pautada na sessão anterior, o que motivou sua decisão de pedir vista da matéria. Camargo explicou que a medida foi tomada para impedir que o tema avance sem uma análise mais ampla e sem a participação efetiva de outras entidades representativas da tropa.
“Cumprindo o compromisso que eu tenho com a tropa, eu pedi vista desse projeto”, declarou o parlamentar.
Camargo avaliou que tanto a proposta encaminhada pelo Governo quanto o outro projeto apresentado na Assembleia tratam de um assunto sensível, mas ainda com debate restrito.
Para ele, matérias que envolvem carreira, proteção social, direitos e futuro profissional dos militares não podem ser conduzidas por poucos atores ou sem transparência suficiente.
“O Projeto de Lei encaminhado pelo Governo e o outro proposto por um parlamentar que representa uma associação dos militares aqui do Estado trazem um debate muito pequeno”, afirmou.
Diante disso, o deputado anunciou que vai encaminhar cópias dos projetos a outras associações militares de Rondônia, com o objetivo de ampliar a discussão e permitir que mais entidades tenham conhecimento do conteúdo das propostas. Segundo Camargo, a intenção é que essas instituições possam analisar os textos, apresentar sugestões e contribuir para uma posição mais segura e representativa da categoria.
“É necessário ampliar esse debate para que outras associações também tenham conhecimento do que se trata”, disse.
Entre as entidades citadas pelo deputado estão a APMC de Cacoal, a CRAMPOJE de Ji-Paraná, a AZOF de Porto Velho, a ACBMRO de Porto Velho, a UNIR de Porto Velho, a FAPMAS de Ariquemes, a ASPRA de Porto Velho e a ASPOCAM. Camargo afirmou que encaminharia os projetos ainda no mesmo dia e aguardaria, até sexta-feira, a análise das associações.
“Estou encaminhando ainda hoje cópia destes projetos para a APMC de Cacoal, a CRAMPOJE de Ji-Paraná, a AZOF aqui de Porto Velho, a ACBMRO de Porto Velho, a UNIR de PVH, a FAPMAS de Ariquemes, a ASPRA de PVH e a ASPOCAM, para que essas outras oito associações também se manifestem sobre essa matéria, sugiram”, destacou.
O parlamentar também criticou tentativas de conduzir o debate de forma limitada ou vinculada a interesses específicos. Na avaliação de Camargo, uma pauta dessa dimensão precisa envolver a tropa de maneira ampla, ouvindo diferentes associações e permitindo que policiais e bombeiros tenham acesso ao conteúdo antes de qualquer deliberação definitiva.
“O debate precisa ser ampliado. Assim é feita política”, afirmou.
Camargo também defendeu que a discussão seja feita com responsabilidade, sem imposição e sem pressão. Para ele, o Parlamento deve garantir espaço para análise técnica, diálogo institucional e participação da base da categoria.
“Política se faz assim, debatendo, e não impondo a sua visão com gritaria. Não é assim que funciona”, declarou o deputado.
Na manifestação, Camargo fez questão de se dirigir também aos policiais militares que não são filiados a nenhuma associação. Segundo ele, esses profissionais também poderão acessar os projetos e acompanhar a discussão por meio do gabinete parlamentar.
“Você, policial militar que não é associado em nenhuma das associações, mas quer ter conhecimento dessa lei, pode entrar em contato diretamente aqui com o gabinete”, afirmou.
Para o deputado, a convocação das entidades tem como objetivo evitar que a tropa seja surpreendida por mudanças aprovadas sem debate suficiente. Camargo reforçou que não permitirá que os militares passem novamente por uma situação de prejuízo ou frustração em razão de decisões tomadas sem a devida cautela.
“Eu não deixarei que você seja mais uma vez traído e surpreendido”, afirmou.
Atuação firme em defesa dos militares
A posição adotada por Delegado Camargo segue a mesma linha de atuação do parlamentar em 2023, quando o Governo encaminhou o chamado realinhamento salarial dos militares. Na época, Camargo alertou que a proposta não seria positiva para a tropa e avisou que os policiais e bombeiros poderiam ser prejudicados com a chamada “manga”.
Agora, diante de novos projetos que tratam da carreira e do Sistema de Proteção Social dos Militares, o deputado volta a pedir cautela, análise e participação das associações. Para Camargo, o episódio anterior mostrou que temas sensíveis não podem ser votados de forma apressada, sem estudo detalhado e sem ouvir quem será diretamente afetado.
Segundo o parlamentar, a atuação do gabinete será voltada a reunir as entidades, ouvir sugestões e garantir que a tropa tenha conhecimento do conteúdo das propostas antes de qualquer decisão. A iniciativa busca construir uma posição mais ampla, técnica e transparente sobre os projetos em tramitação.
Com a convocação das associações, Delegado Camargo reforça sua postura de fiscalização e defesa dos policiais militares e bombeiros militares de Rondônia, defendendo que qualquer mudança na carreira da tropa seja discutida com responsabilidade, participação e respeito à categoria.
TEXTO: WELIK SOARES